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BNCC: muito além da obrigatoriedade

A atualização da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a necessidade de implementação até o final de 2019 não é uma mera formalidade relacionada ao campo do obrigatório. Estamos diante de uma grande oportunidade de rever e de repensar os programas educacionais empregados pelas instituições de ensino para que a educação evolua de forma a acompanhar a transformação social do mundo em todos os seus aspectos.
Hoje em dia a convivência em comunidade pede para que seus cidadãos dominem habilidades que vão além da memorização e da repetição, práticas por muito tempo adotadas como pedagógicas em sala de aula. Para contribuir de forma bem-sucedida com o novo cenário mundial é preciso que cada indivíduo tenha plena consciência do seu papel no contexto cultural em que está inserido, que saiba se comunicar e que seja criativo, dono de uma postura crítica e analítica, participativo e aberto a encontrar soluções colaborativas para questões que nos rondam há muito tempo. Mas, para isso, é preciso romper o paradigma do acúmulo de informações e iniciar a era do desenvolvimento.
Para isso é que os alunos de hoje estão (ou deveriam estar) na escola: para se desenvolver. O desenvolvimento implica em, de alguma forma, utilizar toda a bagagem adquirida anteriormente para uma aplicação posterior que objetiva atuar e mudar uma conjuntura. Ou seja, na prática, é o caminho para a transformação. E aqui é que a BNCC propõe a grande virada de chave. O documento fala em competências e habilidades que devem ser trabalhadas para integrar campos que hoje são tratados de forma distinta, como é o caso da dimensão cognitiva e da afetiva.
Estamos falando sobre aprender a aprender. Não é mais (apenas) sobre acessar informação (até porque, tudo está disponível no Google de maneira fria e sem articulação), mas como se relacionar e agir perante ela. Estamos em um momento da contemporaneidade em que a disponibilidade de conteúdo pode ser usada para o bem e para o mal. Veja só as fake news. Por isso é que hoje se requer das pessoas que elas saibam lidar com esse mar de dados para que busquem, selecionem, interpretem e apliquem o conhecimento formado a partir de então com discernimento e responsabilidade para que sejam encontradas respostas que resolvam problemas antigos ou atuais, para que a noção de autonomia seja aprofundada e para que seja possível conviver e aprender com as diferenças e com a diversidade.
Diante de tudo isso, a impressão por muitas vezes é a de que a prática tradicional dos professores não tem mais lugar. Em parte, isso é uma verdade e, na minha visão, não iremos muito longe se não (re)capacitamos os professores. A Base Nacional Comum Curricular enfoca que as decisões pedagógicas precisam estar orientadas a indicar claramente o que os alunos devem saber, mas, sobretudo, o que eles devem saber fazer. Em outras palavras, os professores perdem seu caráter de autoridade enquanto fonte de conhecimento e de exemplo de atitudes e valores, para assumir o papel de facilitador que conduz a mobilização desses pilares para a resolução de demandas complexas da vida cotidiana e da cidadania. Isso em um curto prazo para uma mudança atitudinal e que tem como base uma formação acadêmica que ainda não atualizou o seu currículo.
Nenhuma transformação é simples ou fácil, ainda mais quando a trazemos para o recorte da revolução que isso gerará para a educação. Os agentes e gestores do ensino estão sempre envolvidos e preocupados com uma série de urgências e pouco param para refletir sobre questões centrais desse processo, como o que é que meu aluno precisa aprender e para que? Como ensinar? Como melhorar? Como avaliar?
Entretanto, é somente dessa forma que traremos o desenvolvimento dos alunos e do país. Ao colocá-los mais no centro e no protagonismo da sua evolução é que eles terão melhores chances para escolher como se conectar com o que o mundo oferece de possibilidades e não apenas dentro das fronteiras do seu país, estado ou cidade, por exemplo. E nosso dever não é soltá-los na jaula dos leões. O inglês precisa estar inserido em todo esse contexto para que entreguemos cidadãos com consciência global e para que eles tenham condições de escolher seus projetos de vida, de carreira e de participação na comunidade global. Pode parecer inatingível, mas é com passos de formiguinha que é possível mudar o contexto educacional em nosso país.

Adriana L. Albertal

Adriana L. Albertal

Diretora da Seven Educacional