Desenvolvimento de professores com metodologias ativas
e uso de tecnologia: preparando os professores de inglês para
adquirir eficácia didática após sua titulação universitária

Chega a ser redundante falar sobre a importância de adquirir a língua inglesa no panorama atual da realidade globalizada em que vivemos. Ela é o que une os negócios, a cultura, a ciência e o que permite promover a inovação para além das barreiras geográficas. Mas, quando o assunto é o ensino do inglês, uma realidade ainda assombra o Brasil: o baixo nível de proficiência da sociedade.
Na contramão de pesquisa realizada pela Catho, site de busca de empregos, que aponta para o fato de que ser bilíngue pode fazer com que o salário das pessoas tenha um aumento de até 52%, apenas 5% da população fala uma segunda língua e menos de 3% tem fluência em inglês, de acordo com pesquisa realizada pelo British Council. Até mesmo políticas públicas que tentaram incentivar a internacionalização da educação como estratégia de importação de know how tiveram problemas, como quando alunos tiveram que retornar ao País depois de não terem conseguido acompanhar os currículos aplicados no idioma e as dificuldades com a comunicação com professores universitários provindos de outros países que tinha, como intenção inicial, a possibilidade de compartilharem sua expertise.

Isso tudo é tão prejudicial que no ranking desenvolvido pela EF Education First, o Brasil ocupa a 41ª posição de um total de 70 países pesquisados, atrás de nações como Singapura, Peru, Equador, México e Chile. E, mesmo assim, ainda é bastante baixo o esforço educacional brasileiro para mudar esse cenário.
A nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que entrará em vigor em 2019, chega para trazer novas esperanças e para resolver de forma legal uma brecha que ficava em aberto com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e com os Parâmetros Curriculares Nacionais. Pela primeira vez vemos de forma compulsória o ensino específico do inglês, ao invés da determinação de haver a obrigatoriedade de uma língua estrangeira não especificada. Entretanto, não serão as letras impressas no papel que farão magicamente com que gestores e professores formem alunos com um bom nível de proficiência no idioma e aprofundamento técnico didático para ensiná-los.

As causas são muitas: o número elevado de alunos por sala de aula, a carga horária insuficiente, a falta de estrutura para um ensino mais dinâmico e que inclua tecnologia, a ausência de práticas de avaliação do aprendizado com base nos parâmetros internacionais de proficiência. Mas, o principal, é a dificuldade de encontrar professores que tenham uma formação adequada, atualizada e alinhada às metodologias ativas, além da desvalorização da carreira – o que, por vezes, repele a educação continuada e a reciclagem de conhecimento.
O que temos observado é que a formação acadêmica atual de bacharelado em Letras seguido pela licenciatura tem deixado a desejar. Os currículos não se modernizaram para acompanhar a transformação dos alunos e do novo contexto que a sala de aula precisa adquirir para atrair sua atenção e para formar cidadãos que dominem as habilidades necessárias para se sair bem frete aos desafios do século XXI. Com isso, forma-se profissionais com uma prática insuficiente para se comunicar no idioma e também do ponto de vista de conhecimento metodológico, criando uma distância entre o que ele é capaz de colocar em prática (como as noções iniciais das regras gramaticais e a compreensão de textos curtos) e a realidade que o mercado carece (como abordagens que promovam discussões, solução de problemas e novas descobertas).

As escolas internacionais que operam no país já despertaram para essa questão e, sem entrar no mérito e na discussão de valores ou de posicionamento aqui, o recorte que precisa nos chamar atenção é que fica claro que o corpo pedagógico é tido como fator de sucesso pelos países referência em educação. Nós também necessitamos enfocar e entender isto. São eles os responsáveis pelos resultados de aprendizagem, que operacionalizam a metodologia, que planejam as aulas, que estão no contato direto com os alunos e que vivenciam, na prática, o que é necessário para a obtenção de resultados mensuráveis. Também é deles o desafio de engajar os estudantes em um aprendizado mais autônomo, curioso e que provoque um desempenho mais satisfatório e medido por instrumentos capazes de fornecer feedbacks evolutivos.

Diante de tudo isso, a pergunta que suscita em quem deseja mudar esse modelo falido é como sair do automático e buscar soluções que nos levem a eficiência em lecionar o inglês. E a boa notícia é que nem tudo está perdido! Basta a disposição para investir em capacitação e desenvolvimento de professores.
Já sabemos que contar com professores pouco preparados em seus currículos influencia diretamente o baixo rendimento do aprendizado do idioma nos cursos regulares. Mas, isso não significa que eles não podem ir além. Só que precisam de ajuda e de incentivo. E fazer isso de forma estruturada, cíclica e por meio de materiais e de consultoria especializada é um caminho que pode ser bastante assertivo em termos de resultados de aprendizagem.

De forma alinhada, a metodologia ativa, os recursos tecnológicos, os materiais didáticos, os professores seguros e aptos a engajar os alunos sabendo entregar o melhor em sala de aula, usando ferramentas de avaliação de proficiência objetivas e reconhecidas internacionalmente, farão com que a instituição como um todo esteja melhor preparada para lidar com a nova visão de educação que cresce no mundo. Consequentemente, seus resultados e qualidade se destacam na visão dos pais e dos alunos, que sentem a diferença na prática. E, quanto maior o volume de indivíduos atingidos por essa realidade, maiores são as perspectivas de sucesso de todos os envolvidos: o Brasil agradece.

*Matéria publicada na Revista Escola Particular 

Adriana L. Albertal

Adriana L. Albertal

Diretora da Seven Educacional