Educação do Futuro: do básico ao superior

Quando o assunto é a educação nos tempos modernos é mais do que perceptível a necessidade de revermos as práticas tradicionais. E esse foi também o grande desafio da educação no Brasil apontado pelo Professor Ronaldo Mota, educador que já integrou o Ministério de Ciência e Tecnologia e que atualmente é chanceler do Grupo Estácio (que conta com mais de 500 mil alunos) no GEduc 2018, grande conferência voltada para gestores educacionais. Durante sua palestra, ele fomentou a reflexão em torno da necessidade de invertermos a lógica da qualidade para poucos por meio dos modelos híbridos, com a participação irreversível da tecnologia.
No mundo contemporâneo, as metodologias em que o professor é a figura central, sendo o único responsável por transmitir o conhecimento, muitas vezes privilegiando a quantidade de informação em detrimento da qualidade já não são suficientes frente ao novo perfil de aluno.
E o que falar então sobre a forma como as salas de aula são organizadas, com fileiras em que o aluno enxerga as costas do outro, de maneira que não incentiva a participação? E as políticas que proíbem os celulares? Será que ele não deveria ser um instrumento de auxílio ao aprendizado desses indivíduos habituados às tecnologias?
A escola tradicional que prega apenas a transmissão de conteúdo precisa mudar. Hoje, a informação está disponível a todos em um simples clique e o foco deve ser preparar os educandos para saber como buscar esse conhecimento e como utilizá-lo para solucionar problemas do nosso cotidiano.
A educação precisa preparar os educandos para um mundo complexo. Em um exemplo simplista, mas que sintetiza o raciocínio, de nada adianta os indivíduos saberem, de cor, as partes de uma flor se não houver o direcionamento para discutir ideias e propostas de como resolver a convivência harmônica entre a natureza e o homem.
Há aí uma substituição do papel principal da instituição, que precisa ensinar matemática, mas também ir além e despertar o interesse e fazer com que os alunos queiram buscar a infinidade de conteúdo que está disponível gratuitamente na rede para que possam ir além das regras básicas da adição, por exemplo, para resolver desafios. Essa nova geração é movida justamente por eles! É um grande momento de inovação, e o Professor Ronaldo Mota define inovação como o poder de conjugar criatividade, disciplina e capacidade empreendedora. Essa é a nova função da escola nesse mundo cada dia mais complexo.
O caminho para a mudança precisa passar pela etapa de perceber que todos aprendem o tempo todo e que cada um aprende de uma maneira diferente. E o que se pretende é orientar cada estudante para traçar o melhor percurso para essa educação que vai prepará-lo para ser o profissional do futuro. Profissional esse que tem como características principais saber trabalhar em equipe e adaptar-se a mudanças com rapidez.

* Matéria publicada no Guia Escolas em Julho 2018

Adriana L. Albertal

Adriana L. Albertal

Diretora da Seven Educacional