Escolas, professores, pais e alunos: todos são
responsáveis na construção do conhecimento do inglês

Nos dias de hoje não é mais possível falar sobre o aprendizado do inglês nas escolas regulares sem o compartilhamento das responsabilidades que envolvem a instituição, o professor, os alunos e os pais. Sabemos que existe uma pressão muito grande por parte dos adultos no sentido de fazer com que seus filhos saiam da escola já bilíngues e aquela que consegue esse objetivo, com certeza, se destaca em um mercado em que a concorrência é cada vez mais acirrada.

Quando falamos da aprendizagem do idioma precisamos ter consciência de que, no Brasil, a educação reconhece o valor cultural das línguas estrangeiras. Porém, a realidade é que ainda temos uma carência de professores qualificados, bem como salas numerosas e carga horária reduzida. Esses fatores contribuem para que o ensino do inglês seja engessado e centrado, em alguns casos, na leitura, no vocabulário e na gramática básica. Quando o foco é o material didático, com frequência ele encobre a essência do trabalho de construção de conhecimento que envolve o facilitador e o grupo de alunos em dinâmicas engajadoras, prazerosas e, em consequência, facilitadoras do processo de aprendizagem.

Assim, modificar esse cenário constitui-se em um desafio de todos os evolvidos! E, nesse sentido, uma sugestão é investir em um processo de interação para fazer com que a engrenagem do sucesso gire.

Um dos passos consiste em aproximar a família da escola e fazer com que todos se sintam envolvidos nesse objetivo. Com isso, os pais deixam de torcer para que seus filhos aprendam o inglês e passam a acreditar que isso de fato acontecerá. Para tanto, é importante planejar aulas com atividades de interesse para cada faixa etária. Por exemplo, incentivar que participem de algumas lições de casa, como ao cantarem uma música com as crianças ou mesmo responder perguntas que elas façam em inglês.

O interesse pela vida escolar dos filhos é parte fundamental dentro da aprendizagem. As crianças se sentem valorizadas quando percebem que a família se interessa por saber o que aprendem e por suas experiências e descobertas cotidianas. E, então, tudo isso resulta em alunos mais motivados e estimulados a conquistar novos aprendizados, além de um diálogo mais profundo em casa para que haja subsídios para debater nas reuniões escolares.

Na outra ponta do processo, é de igual importância e valor investir em uma metodologia que dê condições para que os alunos saiam do ensino regular como usuários independentes da língua inglesa. Isso envolve materiais de apoio adequados para cada faixa etária, treinamento pedagógico contínuo que estimule aulas mais dinâmicas ao invés das expositivas e avaliação do perfil e do potencial dos professores.

A interdisciplinaridade e como conectar o que se aprende com a vida cotidiana exigem do educador mais do que o domínio do inglês para lecionar. Diante disso, os gestores precisam estar cientes de duas situações: a primeira é que é preciso estimular que o docente tenha maturidade para se autoavaliar e refletir sobre sua ação pedagógica e o caminho de inovação a que ainda é possível seguir. E a segunda é que essa avaliação também precisa ser feita pelos profissionais de coordenação das escolas (ou por empresas que podem prestar consultorias especializadas) seguindo os parâmetros internacionais e também os indicadores de que estão no caminho do objetivo pretendido.

A partir da avaliação do perfil e o nível de proficiência no inglês é possível definir a contratação do professor, considerando também sua abertura para mudanças, para aplicar modelos mais atuais de ensino para conseguir desafiar os alunos, trabalhar com planejamento e identificar e corrigir a tempo as dificuldades que surgem.

Sem contar claro, o valor agregado que tem o colégio adotar os simulados como forma de identificar o grau de aprendizado dos alunos e como consequência o desempenho do professor. Esse trabalho deve ser contínuo porque ensinar o inglês é ir além de vocabulário e gramática e ter conhecimento suficiente para vivenciar todas as situações cotidianas com independência, sem barreiras para falar e se expressar.

Assim, é possível atingir o objetivo de fazer com que as aulas de inglês resultem em uma experiência educacional ampliadora e libertadora capaz de fazer com que os estudantes se tornem autores da sua expressão na sociedade.
Com a engrenagem rodando, temos: pais e professores que incentivam os alunos; instituições que investem em metodologias e professores eficientes e eficazes; estudantes que saem dos anos da educação básica e escola regular melhor preparados e pais que valorizam as escolas escolhidas. O benefício é muito maior do que isso, já que quando não sabemos para onde vamos qualquer lugar serve. E o preço pela pouca estratégia no olhar para o idioma é muito alto na sociedade como um todo e impacta a nossa competitividade enquanto País.

*Matéria publicada na Revista Direcional Escolas em Maio 2018

Adriana L. Albertal

Adriana L. Albertal

Diretora da Seven Educacional