Gerenciamento eficaz de mudanças
nas instituições de ensino no século XXI

O mundo está em transformação e isso se reflete na atuação profissional e social de todas as pessoas. No GEduc de 2018, congresso de âmbito nacional voltado para os Gestores Educacionais tanto de Educação Básica quanto de Ensino Superior, realizado no final de março, a temática das mudanças e seus impactos para o Gestor Educacional se fez presente de maneira contundente. A escola precisa se posicionar adequadamente neste mundo em processo contínuo de mudança. Se assim não for, como poderá ela ser capaz de formar indivíduos que consigam navegar em um mundo tão ágil e de certezas tão voláteis? Mais do que ensinar conteúdos que podem ser pesquisados em trinta segundos na internet, as instituições de ensino necessitam, basicamente, voltar-se para duas linhas principais.

A primeira é a formação do ser humano enquanto indivíduo capaz de refletir, de criticar e de analisar os conhecimentos com os quais pode se deparar nos vários ambientes que lhe são oferecidos, sejam eles virtuais ou não. É interessante observar a quantidade de notícias falsas que são apresentadas aos internautas nos dias de hoje. Apenas o bom senso, a reflexão crítica e o pensamento inteligentemente ativo podem obstar que o indivíduo se torne um joguete na mão de intenções políticas, científicas, sociais, religiosas ou de mídia que tentam manipular o cidadão de bem em qualquer parte do mundo.

Neste diapasão, as instituições de ensino precisam, de fato, voltar-se para o desenvolvimento do poder reflexivo, a capacidade de investigação e o gosto pelo debate faz-se fundamental como um dos grandes papéis do contexto educacional. Os modelos de outrora que preconizam a memorização de informações, de dados e datas não servem mais para a educação do século XXI. Lembro-me de decorar, em tempos de escola, que a flor tem “tantas” partes: pedúnculo, cálice, corola, ovário, estigma etc. Hoje, podemos conseguir essas informações em poucos cliques em sites de busca. O maior desafio é pensar como resolver o problema da convivência urbana com a flora nativa ou como prevenir sua destruição por fatores predatórios ou ainda como utilizar elementos da flora brasileira em prol do seu crescimento econômico de maneira sustentável, trazendo desenvolvimento humano e protegendo, ao mesmo tempo, o ecossistema.

A segunda vertente fundamental para criar um novo olhar nas instituições de ensino para tempos de mudança está no desenvolvimento de comportamentos e formas de agir no mundo. Recentemente, essas novas habilidades ganharam um novo denominador: Habilidades Sócio-Emocionais. No passado, o papel da escola era transmitir saberes como se derruba um néctar em um copo vazio. Cabia ao professor – detentor desse “néctar” – dar sua aula falando de forma ininterrupta e aos alunos – os copos vazios –se concentrarem a fim de conseguirem absorver o máximo possível daquele líquido de saber. Os tempos atuais, todavia, tem demandado que as pessoas consigam desempenhar outros saberes diferentes de repetir as partes da flor, de uma sentença ou os nomes das capitanias hereditárias: os jovens adultos, na iminência de entrar no mercado de trabalho ou da sua vida autônoma precisam saber interagir positivamente com outras pessoas, saber ouvir, lidar com conflitos e frustração, saber se relacionar com autoridade, enfrentar a competição, se comunicar eficazmente em língua materna e em língua estrangeira, conviver com a mudança e ter humildade para sempre aprender o que não sabe.

Congressos de gestores educacionais como o GEduc 2018 colocaram o grande desafio de como incluir essas habilidades – todas elas previstas pela nova BNCC – no dia a dia da escola ou na condução dos conteúdos programáticos das instituições de ensino superior. Provavelmente, o que se discute é uma transformação que passa pela revisão profunda dos materiais didáticos, pela intensificação da abordagem transdisciplinar dos conteúdos e disciplinas escolares e, por fim, na revisão da formação contínua dos docentes. Nesta direção, novas metodologias de ensino precisam emergir para que o ensino, que antes era apenas um processo de transmissão de conhecimento, se volte a uma prática vivencial, significativa, investigativa, cooperativa e que se dará em um contexto em que todos colaboram com seus saberes prévios, de maneira respeitosa, aberta e democrática.

*Matéria publicada no Guia Escolas em Maio 2018

Lúcia Rodrigues Alves

Lúcia Rodrigues Alves

Diretora Seven Guarulhoe e Seven Tatuapé