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Os resultados do PISA: reflexões sobre a educação no nosso país

  Manchetes como “Brasil cai em ranking mundial de educação em ciências, leitura e matemática”, publicada pelo portal G1, em dezembro de 2016, resumem bastante o resultado da aplicação do PISA (Programme for International Student Assessment ou Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) no país. Na penúltima edição, conduzida em 2015 e aplicada em 70 nações, ficamos na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática. A amostra brasileira contou com 23.141 estudantes de 841 escolas, que representam uma cobertura de 73% dos estudantes de 15 anos.
  Agora, três anos depois, a maior avaliação internacional em educação – que tem por objetivo analisar a preparação do estudante para a vida adulta – foi reaplicada em maio. As conclusões só serão conhecidas no final de 2019. Mas, uma análise recente, conduzida pelo professor Naercio Menezes Filho, do Insper e da Universidade de São Paulo (USP), não anima. Segundo ele, o baixo desempenho não se deve apenas em função de não acertar as questões, mas o fato de que a maioria dos alunos piora a performance ao longo do exame e não consegue terminá-lo. A justificativa? Eles não sabem o que é pedido ou têm dificuldade de entender os enunciados.
  E, então, está aí um importante cenário para refletirmos. Todos nós, envolvidos com educação, temos uma responsabilidade em comum: estimular o nível de formação e de conhecimento geral desse país! Afinal, são os jovens que poderão realizar as transformações que nós, adultos, não conseguimos. Refiro-me a educação, alimentação e saúde para todos, por exemplo.
  A oferta de currículos e propostas mais inovadoras, que convidam os alunos a saírem das suas mesas e dos seus livros para se desenvolver em um ambiente em que ele é o protagonista da busca por soluções para questionamentos globais, é extremamente restrita.
  O Brasil merece – e precisa – de projetos inclusivos que facilitem o acesso ao conhecimento e o desenvolvimento de habilidade e competências de todas as crianças e adolescentes brasileiras para que, quando adultos, estejam preparados para construir um novo mundo. Isso significa que estamos diante de duas prioridades: investir de forma mais inteligente no segmento e, principalmente, capacitar e valorizar a figura do professor.
  Quer saber de uma outra grande diferença do nosso país para as nações que estão no topo do PISA? Por aqui, a carreira do magistério não é nada atrativa ao jovem que termina a escola regular, enquanto em Cingapura, na China e no Japão, que ocupam as primeiras colocações no PISA, ser professor é sinônimo de prestígio social.
  Para virar esse jogo, é fundamental repensarmos como estamos formando e atualizando nossos docentes para que estejam preparados para aplicar metodologias ativas com foco em desenvolvimento de habilidades e competências. O modelo que prioriza a memorização (seja de informações, de dados ou datas) literalmente faliu! Para saber a resposta de perguntas objetivas, o Google apenas resolveria. Mais do que ter informação, é preciso saber como interpretá-la, como conectá-las em função de um objetivo previamente estabelecido. Estabelecer quais os problemas e quais as soluções para os mesmos é uma maneira de ativar o pensamento criativo conectado com contextos reais. A discussão em sala de aula não pode ser mais em torno de apenas quando os portugueses colonizaram o Brasil, mas sim o quanto isso impactou o nosso desenvolvimento e ainda reflete, por exemplo, nos aspectos econômicos e sociais do país atualmente. E o que podemos planejar em conjunto para mudar essa realidade que herdamos?
  O PISA é um bom reflexo dos sucessos e dos insucessos globais. Ele produz indicadores que contribuem para a discussão da qualidade da educação, para que os países possam subsidiar políticas de melhoria no intuito de formar jovens que exerçam papeis ativos de cidadãos na sociedade contemporânea. E, conhecendo nossa colocação, está na hora de nos questionarmos o que podemos aprender com os sucessos para encontrarmos caminhos que permitam nos conectarmos e evoluirmos com eles.
     Nesse sentido, o inglês é o caminho para essa conexão que não enxerga barreiras. Essa nova abordagem precisa enfocar a solução para tornar nossos alunos mais pertencentes ao planeta como um todo, parte não apenas da sua nação, mas comprometidos e envolvidos com os desafios existentes e os que virão no mundo. A nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está chegando para integrá-la à nossa visão e ao nosso norte para construir uma nova realidade passo a passo no cotidiano.

*Matéria publicada na Revista Direcional Escolas em Setembro 2018

Adriana L. Albertal

Adriana L. Albertal

Diretora da Seven Educacional