Por que o brasileiro não fala inglês?

O acesso das pessoas a escolas de idiomas, ou mesmo a aulas em colégios, é praticamente unânime no Brasil. Na prática, porém, ninguém fala inglês, como se imperasse um pacto coletivo pela não eficiência do ensino do idioma.


Quando faço apresentações para grupos de gestores de escolas ou de recursos humanos, deparo-me com respostas bastante padronizadas perante a pergunta: Quem é fluente em inglês? Geralmente, apenas 2 ou 3 pessoas em um grupo de 30 ou 40 levantam a mão. Esse resultado se repete independente de qual seja o contexto ou local. E, quando pergunto quantos frequentaram escolas de idiomas, a resposta é unânime: todos.

Mas qual seria o motivo de as pessoas não serem fluentes e terem tão pouco resultado em seus estudos? Para esta pergunta, sempre ouço respostas do tipo: “As aulas são chatas e desmotivadoras”, “Tenho muita dificuldade com o idioma” etc.

Mas alguém consegue aprender sem motivação? E as estratégias didáticas para atravessar as dificuldades que surgem no percurso?

Acredito que todos que trabalham com o ensino de idiomas sabem as respostas para estas perguntas, pois convivem com as situações expostas acima. Tudo, porém, continua como está, seguindo um problema cíclico, que se inicia logo no ensino infantil. Muito se investe para que os filhos aprendam um segundo idioma, mas pouco se obtém deste investimento, pois as pessoas se acostumaram com a má qualidade do que lhes é ofertado. Quando adultos, tentam “correr atrás do prejuízo”, tentando recuperar o tempo que foi perdido em escolas. Novamente, as tentativas são frustradas e não se conquista a desejada proficiência.

Quando peço para as pessoas lembrarem das aulas de inglês que tiveram no colégio, os comentários citam aulas chatas, repetitivas, desinteressantes e, principalmente, professores mal preparados. “The book is on the table” etc.

Infelizmente, o quadro de hoje é o mesmo há 10, 20, 30 anos. As escolas se adaptaram aos professores despreparados e burocráticos. Com alguma frequência, as aulas são dadas em português, como se o colégio estivesse “escondendo” o inglês. Afinal, ninguém aprende mesmo…

Quanto às faculdades que formam professores no Brasil, elas não desenvolvem o conhecimento do idioma e não preparam o professor para ofertar uma didática eficiente e atualizada.

Afinal, quando conseguiremos romper este pacto coletivo de mediocridade e aproveitar a melhor idade para todos aprenderem este idioma, essencial para a vida no século 21?

* Matéria publicada na edição de Agosto/2015 da Revista Escola Particular

Adriana L. Albertal

Adriana L. Albertal

Diretora da Seven Educacional